quinta-feira, 13 de março de 2014

Halu Gamashi: Individualismo e sobrevivência

Halu Gamashi: Individualismo e sobrevivência:                                         Individualismo e sobrevivência. Sobreviver é a mola propulsora que instiga o homem a vida, que i...

sábado, 29 de junho de 2013

Cura Gay

Protesto de uma cidadã contra a cura gay


Estamos vivendo um momento difícil de assimilar, com promessas “novas” e projetos de lei “novos” que trazem no seu bojo a Idade Média e, portanto, um retrocesso.

O Feliciano propõe a cura gay e a Dilma busca médicos no exterior. O que posso assimilar destas duas informações? A Dilma vai buscar médicos para curar os gays do Feliciano? Ou preciso entender que a nossa Presidenta está falando uma coisa e o deputado está falando de outra? Se é assim, se é isto o que é a democracia, eu gostaria de saber o que a democrata Dilma acha da cura gay e o que o deputado Feliciano, Presidente da Comissão dos Diretos Humanos, pensa sobre a busca de médicos no exterior. Uma nação é um conjunto.

Senhor Joaquim Barbosa, por favor, venha nos salvar. O povo lhe clama e, pelas suas atitudes presidindo o STF, este é um clamor maduro.

Povo brasileiro: queremos voltar à Idade Média? Queremos dizer ao mundo que acreditamos que a opção sexual é uma doença - uma discussão que ruiu por falta de credibilidade? Queremos dizer ao mundo que no nosso país não existem médicos? Eu não quero dizer isto! E você? 

Tá aqui um manifesto, estou buscando uma soma de consciências para ampliar a minha própria consciência. Basta de ficar calado, esperando pelo bom senso dos nossos políticos.

Aqui vai um recado para você que elegeu e elege os “felicianos”: saiba que você está abrindo espaço para, quem sabe no futuro, ter um governante homossexual que acredite que a heterossexualidade é um retrocesso, que está fora de moda. Amanhã poderá aparecer um presidente que acredite que o Brasil não tem professores, jornalistas e ir buscar em outros países. É preciso enxergar o perigo deste tipo de pensamento.

Sempre morei em cidades pequenas e sei a dificuldade de se encontrar médicos para estas localidades. Também sei que existem muitos médicos em busca de emprego, insatisfeitos com os seus ganhos aqui mesmo, no Brasil, e a questão de saúde pública não se resolve apenas com médicos, ele precisa medicar, examinar, e é real a escassez de recurso dos profissionais das cidades do interior.

Como disse, estamos vivendo um momento difícil de assimilar, portanto é preciso cautela. Infelizmente a justiça não nasce do verdadeiro direito e necessidade de um povo; a justiça nasce quando um povo reconhece seus direitos e necessidades e escolhe, no cenário político, outros cidadãos que estão atentos a estes direitos e necessidades.

Qual seria o direito e a necessidade para uma lei que pretende a cura gay?

Fico pensando se por trás deste projeto de lei não existe um ditador que inicia a sua carreira ditatorial. Estas figuras agem assim, primeiro escolhem um tema polêmico na sociedade. Um tema que divide as maiorias e divide as minorias. Quando a nação é culta, está atenta a este início e aborta o projeto no ninho. Quando não, pensa assim: “como eu não sou gay, isto não é um problema meu”, ou, “se eu sou gay reconheço os avanços da mentalidade mundial e este cara é um palhaço”. Fato é: o circo vai tomando força. Amanhã este projeto de ditador poderá eleger uma religião e achar as demais desnecessárias e vai avançando, depois discorda da arte, do riso, da alegria, e por aí vai. A história está repleta deles. Não podemos nos esquecer que Adolf, antes de ser Hitler, era um fracassado que teve a idéia de agradar um determinado grupo, foi agradando pequenos grupos, minando direitos individuais, minando a civilidade e deu no que deu.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias existe para estar afinada com os Direitos Humanos. Quando a Comissão de Direitos Humanos de um país está afinada com o retrocesso, com o sectarismo religioso, o que é que este deputado está fazendo nesta cadeira? Criando uma poltrona antiga, furada, em desuso, no momento me que vemos jovens sendo abraçados por seus pais, pela sociedade, apesar de sua opção sexual, apesar de sua opção musical; quando vemos negros compreendendo e vendo compreendida a sua alma, independente da cor da pele que a reveste. Eu digo não a esta poltrona, a este espaço que está sendo criado dentro da Comissão dos Direitos Humanos para a lascívia desumana, para a retomada de conflitos superados. Eu acredito que o amor venceu. E você?

Este protesto é a tentava de uma cidadã de assimilar o que é que esta acontecendo em seu país.

Este protesto é de uma cidadã que não esta reconhecendo o seu país por saber da função do Brasil no mundo: um país miscigenado, multicultural, berçário da cultura mundial pela convergência de pensamentos e propostas que geraram o nosso país. Um país como este tem o direito de não dar voz a felicianos, a não dar voz a procura de médicos em outros países.

O Brasil tem o direito de ser divulgador da humanização universal.

O Brasil tem o direito de dizer que o preconceito racial foi uma bestialidade.

Por sua arte, cultura e música; artistas e músicos que cantaram o amor de forma única e preciosa, o Brasil tem o direito de dizer que toda forma de amor vale a pena porque a nossa alma não é pequena; por causa do sol de Copacabana e do luar do Sertão, por nossa mãe gentil, pelas estrelas de nossa bandeira, pelo progresso que trabalha a nossa ordem eu digo sim ao amor, a compreensão, a condição incondicional do amar. E você?
                                                                                                                                              Halu Gamashi

A fórmula do perdão

A fórmula do perdão

A carne arde em uma dor dilacerante, queima, fuça, esmiúça, moi, tritura. Assim é a dor da criatura: a raiva a esfria, a decepção a nega, o ódio a acende, a melancolia a deprime, a nostalgia a acelera e a saudade recria a dor pura, nua, como nasceu.

Esta é a memória da dor da criatura.

E quando a dor revive, procria-se, gera outros veios que nascem quentes, ardidos, pruridos; e os veios cortam, invadem instâncias mais profundas, corroem e constroem uma enorme cratera nas fronteiras da criatura; e há, neste caminho, uma margem onde a dor não alcança, não contata e é daí que brota um pavor, um horror.

O que há naquela margem que limita a dor?

O que há não permite - aquilo que existe - na cratera penetrar, a decepção não a nega, a raiva não a esfria, a melancolia não a deprime e a nostalgia não a acelera.

A margem refrata, devolve à criatura a sua dor unindo-as mais uma vez. E dor e criatura se entrelaçam até que não haja diferença entre elas, e o que fica é algo inominável que expira uma grande ferida.

A criatura perdeu suas formas e a dor ganhou mais espaços.

A consciência extinta emigrou não se sabe para onde e a dor dói grande, pulsante, vermelha como o sangue, fétida como as lamúrias, numa espécie de anti-existência, e este anti-existente finalmente se encontra com a morte.

Já não há mais pavor ou horror - estes foram os últimos venenos que mataram a criatura. E a anti-existência, vagando, atravessa a margem, reconhece a vida, uma cor, conhece o verdadeiro silêncio e, de repente, sem nenhuma ordem ou comando, o anti-existente, com o seu quase nada, sabe-se diante do seu criador.

O ser superior que não a abraça, não a alenta, não a cura de sua dor; o silêncio do criador é uma lição constante, gritante de compreensão e o anti-existente - com o seu quase nada - começa a compreender o seu corpo depauperado, as suas formas extintas, a tintura amarga do seu viver e, de repente, sem nenhum comando, compreende que não esta sozinho, que todas as outras criaturas são e estão no mesmo caminho: o que as diferencia é o tempo. Algumas ainda estão no estágio de ardor da dor e de esfriá-la com a raiva, negando-a com a decepção. Outros revivem a memória da dor e o anti-existente, num ato de compreensão maior, despede-se do seu quase nada e é recriado pelo seu criador.

No seu primeiro novo instante se pergunta se já esteve ali outras vezes e esta indagação traz de volta sua consciência. Num segundo instante - de novo criado - pensa em retomar seu caminho e faz uma nova descoberta: quando se está nos terrenos do criador é ele quem determina o momento do retorno.

Na condição de novo, de criatura, percebe uma outra margem e conhece uma nova dor. Esta não arde, não corta, nada a esfria e não há como nega-la, não acelera, não dispersa e não dispensa; e sem nenhum comando, sem nenhuma ordem a criatura sabe que aquilo que sente agora não é uma dor provocada pela vida, não é uma dor ungida por outras pessoas: é a necessidade de perdão.

Nas margens do perdão há uma dor diferente das outras, ela ilumina e clareia.

Neste momento, a criatura descobre a fórmula do perdão, compreende que o perdão é um contrato no qual está esclarecido que a criatura precisa abdicar da culpa e dos culpados, do ego e dos egoístas, das barganhas que fez para sobreviver até então, precisa renunciar aos dias vividos deixando para trás perdas e ganhos, e bem e mal tem o mesmo tamanho.

O contrato esclarece que tudo o que se viveu é parte de alguma coisa menor do que se tem para viver; a dor dói e não machuca. A nova criatura descobre que tudo o que viveu simplesmente é a menor parte de alguma coisa desconhecida que não foi tanto e nem tão pouco.

De fato não houve brilho, nem ausência de cor, simplesmente fazia parte de uma massa inocente que ainda busca nas pessoas o que nenhuma pessoa tem para dar e ofereceu-se como se tivesse algo, ofertou o que não era seu e cobrou de quem não tinha; e, sem nenhum comando, nenhuma ordem, a criatura soube que antes de voltar ao seu criador fazia parte do reino das criaturas inocentes porque só um inocente fere por desconhecer que também será ferido, só um inocente mata por desconhecer que também estará morrendo junto.

Na inocência há coisas a fazer, a realizar, na inocência há prêmios e reconhecimentos. O perdão é como um tronco de árvore na correnteza do rio e agora é um instante da primeira escolha da nova criatura: ou abraça o tronco e permite que a correnteza do rio conduza-a para o novo momento ou...

A nova criatura não sabe, não sabe porque já abraçou o tronco da árvore que a enraizará em outro reino.

Abraça o tronco perdão, perdoa-se, perdoa tudo, perdoa todos. E a correnteza que escalpa a pele do tronco destitui a nova criatura da sua pele e, de repente, sem nenhum comando, criatura e tronco se fundem e viajam sem dor não se sabe para onde.

Halu Gamashi


Dedico este texto a Dra. Cíntia Azevedo Marques Perico, que me ajudou a desplantar a minha árvore dos terrenos áridos que também construí com a minha existência e me possibilitou conhecer novas afluentes do mesmo rio.


Terreno Baldio nasceu da minha necessidade de uma comunicação livre, ilimitada, sem formatos. Assim podemos mudar de assunto sem ferir os melindres da comunicação, como num bate-papo... De repente... Um assunto leva a outro e a conversa vai girando por uma ordem de prioridade inédita exclusiva e afinada com o pulso do momento. Por que não?

Terreno Baldio é para mexer e remexer na nossa imaginação. É um instrumento para fortalecer a máxima do: "É proibido coibir".

Eu acredito que pagar o preço para falar estimula a coragem para rasgar as mordaças. Dar conta de ouvir estimula a generosidade de alcançar, na fala do outro, uma aproximação.
Quando olhamos um terreno baldio imediatamente pensamos se há um dono. E eu penso que, quando um terreno baldio me olha, me pergunta: "Não quer você ser meu dono?". E o verdadeiro dono de um terreno baldio, para que terreno baldio ele continue a ser, permite a baldiação de pensamentos, sentimentos, dúvidas, investigações que só caberiam nos terrenos baldios, cujas respostas surgem nos vislumbres de uma imaginação, cujo dono propicia a comunicação.
Quer canalizar comigo?

Quando você vir um terreno baldio lembre-se de mim, debande-se para a sua casa e baldie `a vontade no meu, no seu, no nosso Terreno Baldio.

Halu Gamashi

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Ficha Telúrica

Rede de ação: Halu Gamashi

Dia gramação: Dienny Marques, Dimas Xapanan
Tradução: Silvia Nogueira

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